O piloto não tem janela para olhar. No cockpit do X-59 da NASA, não há nenhum vidro frontal. Em vez disso, câmaras alimentam um ecrã, um sistema que a NASA chama de eXternal Vision System. O cockpit situa-se muito para trás numa fuselagem comprida e estreita, e o nariz do avião estende-se tanto que uma janela normal seria inútil.
Em junho de 2026, este avião único deverá fazer algo que nunca fez antes: voar mais rápido do que a velocidade do som. O X-59 tentará o seu primeiro voo supersónico a cerca de 13.000 metros de altitude, superando Mach 1 e atingindo mais de 1.000 quilómetros por hora.
Mas o objetivo não é a velocidade. Muitos aviões já voam mais rápido. O objetivo é o silêncio. Quando um avião quebra a barreira do som, as ondas de choque combinam-se numa pressão forte que cria um estrondo alto e assustador. Por isso, desde 1973 que os voos supersónicos sobre a terra estão proibidos nos Estados Unidos.
O X-59 foi construído para resolver este problema. A sua forma alongada, desenho secreto da Lockheed Martin, espalha as ondas de choque para que nunca se combinem num estrondo. Em vez de um boom, o avião produz um som suave que os engenheiros chamam de "thump". Os dados que o X-59 coleciona podem mudar as regras do céu.