A quase dois quilómetros de profundidade no Oceano Pacífico, perto da Ilha Darwin nas Galápagos, uma câmara de um robô capturou algo extraordinário: um polvo pequeno, azul e nunca antes visto. Este momento, registado em 2015, originou uma nova espécie de polvo chamada Microeledone galapagensis.
O polvo tem o tamanho de uma bola de golfe e cabe na palma de uma mão. Janet Voight, curadora do Museu Field em Chicago e autora principal do estudo, dedicou mais de quarenta anos ao estudo da evolução dos polvos. Esta foi a primeira espécie nova que liderou oficialmente.
Apenas um exemplar, uma fêmea adulta, foi trazido à superfície. Contudo, dois outros polvos semelhantes foram avistados em vídeo, sugerindo uma pequena população local. O desafio era descrever cientificamente o animal sem o disseccioná-lo. A solução veio da tecnologia: uma varredura de raios-X detalhada mostrou os órgãos internos sem danificar o espécime.
A descoberta foi surpreendente. O polvo pertence à família Megaleledonidae, que os cientistas acreditavam viver apenas nas águas profundas e frias do Oceano Antártico. Um pequeno polvo no Pacífico tropical oriental não se encaixava neste padrão. Os investigadores tiveram de redefinir a família cientificamente.
Esta descoberta lembra-nos quanto do oceano profundo das Galápagos permanece inexplorado.