Em maio de 2026, a Somália participará pela primeira vez na Bienal de Veneza, uma das mais importantes exposições de arte do mundo. O pavilhão nacional, intitulado SADDEXLEEY, visa recuperar um legado cultural afetado por conflitos. O nome vem de uma estrutura poética somali que usa o conceito de três, refletido no espaço físico em Veneza, que tem três níveis, cada um dedicado a uma artista somali.
A poesia guia a experiência dos visitantes. No rés-do-chão, a poesia de Warsan Shire explora temas de conexão humana e movimento. Shire é uma escritora somali-britânica que já colaborou com figuras como Beyoncé. No nível do meio, Asmaa Jama usa vídeo e materiais históricos para investigar a preservação cultural. Jama é uma artista somali-dinamarquesa que vive em Bristol e foca-se nas experiências da diáspora. No último andar, Ayan Farah apresenta têxteis bordados. Farah, uma artista somali-sueca em Estocolmo, usa pigmentos da Somália e conchas das costas escocesas.
O projeto usa a arte para se conectar com a herança oral da Somália, que historicamente usava versos para resolver conflitos e organizar a sociedade. Após Veneza, a exposição irá para o Museu Nacional de Mogadíscio. No entanto, esta estreia gerou debate sobre representação e poder. Grupos culturais somalis sentem-se marginalizados, criticando a falta de consulta aos artistas que trabalham na Somália há anos. Há também controvérsia sobre a nomeação de um co-curador italiano, devido ao passado colonial de Itália na Somália. Apesar das críticas, o pavilhão é um passo importante para a Somália, oferecendo uma oportunidade de recuperação cultural.