Em maio de 2026, Becky Pepper-Jackson, de dezasseis anos, venceu o campeonato estadual da Virgínia Ocidental no lançamento do peso feminino. Ela estava a tomar medicação para suprimir a puberdade e terapia hormonal, sendo a única atleta transgénero publicamente identificada a competir em desportos femininos no seu estado. Poucas semanas depois, o seu futuro desportivo tornou-se o centro de uma decisão judicial histórica. A 30 de junho de 2026, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, por 6-3, permitir que os estados proíbam raparigas e mulheres transgénero de participar em equipas desportivas femininas. Esta decisão valida leis estatais como a "Fairness in Women's Sports Act" de Idaho e a "Save Women's Sports Act" da Virgínia Ocidental. Especialistas preveem que restrições semelhantes em outros 27 estados ficarão protegidas de contestações legais. O juiz Brett Kavanaugh, autor da maioria, afirmou que os estados têm autoridade para reservar categorias desportivas femininas para indivíduos designados como do sexo feminino à nascença, interpretando que o Título IX, lei federal de 1972, permite a separação de desportos por sexo biológico. A decisão resolveu batalhas legais envolvendo Pepper-Jackson e Lindsay Hecox, uma estudante universitária que tentou competir pela equipa de atletismo feminino da Boise State University. Os três juízes progressistas discordaram, argumentando que a decisão sobrecarrega um grupo desfavorecido. A decisão terá um impacto nacional, afetando os cerca de 122.000 jovens transgénero que praticam desporto no ensino secundário nos EUA. A opinião pública parece apoiar maioritariamente estas proibições, com cerca de seis em cada dez adultos americanos a favor de regras que exijam que os jovens transgénero compitam de acordo com o seu sexo de nascimento. O debate divide até atletas proeminentes, com opiniões divergentes entre figuras como Martina Navratilova e Megan Rapinoe. Esta decisão insere-se numa tendência judicial mais ampla de limitação dos direitos transgénero, seguindo-se a proibições de cuidados médicos de afirmação de género para menores e leis que restringem o uso de casas de banho públicas.