Dois drones caíram do céu sobre o deserto de Abu Dhabi no domingo à tarde. O terceiro não caiu.
Ele ultrapassou as defesas aéreas que protegem a Central Nuclear de Barakah, a primeira estação de energia nuclear construída no mundo árabe, e atingiu um gerador elétrico junto ao perímetro interno. Um incêndio começou. Dentro da Unidade 3, um dos quatro reatores da central, as luzes mantiveram-se acesas, mas apenas porque geradores diesel de emergência se tinham ligado.
Ninguém ficou ferido. Os níveis de radiação, segundo o regulador nuclear dos Emirados Árabes Unidos, nunca se alteraram. Mas durante algumas horas a 17 de maio, o país que havia gasto aproximadamente 20 mil milhões de dólares e mais de uma década a construir a infraestrutura mais limpa e cuidadosamente monitorizada da Península Arábica estava a enfrentar algo que nenhuma nação do Golfo tinha enfrentado antes: um ataque de drone bem-sucedido à sua central nuclear.
Os três drones tinham entrado no espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos a partir do oeste. Barakah situa-se aproximadamente 225 quilómetros a oeste da cidade de Abu Dhabi, perto da fronteira saudita, numa região desértica remota. A central foi escolhida para este local precisamente porque é isolado. Quatro reatores APR-1400 de desenho sul-coreano fornecem aproximadamente um quarto da eletricidade do país a partir desta zona desértica.
O dano ficou contido no anel exterior. As autoridades confirmaram que todas as unidades funcionam normalmente e que os sistemas de segurança essenciais não foram afetados. A eletricidade externa foi posteriormente restaurada à Unidade 3.
Todavia, em Viena, Rafael Mariano Grossi, Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica, emitiu um aviso. "A atividade militar que ameaça a segurança nuclear é inaceitável", disse ele. O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos chamou ao ataque um "ataque terrorista" e uma "escalada perigosa". Contudo, inicialmente, o governo não identificou publicamente um responsável.
O ataque ocorreu durante o que deveria ser um cessar-fogo frágil entre os Estados Unidos e o Irão, que tinha começado em abril de 2026. Teerão quebrou o acordo em maio, retomando os ataques aos Emirados Árabes Unidos. Para os Emirados Árabes Unidos, Barakah é mais do que infraestrutura; é um projeto nacional, um símbolo da aposta do país em transitar do petróleo para a energia nuclear.