Uma empresa francesa de navegação acaba de se comprometer com 700 milhões de euros para reconstruir os cais de Mombaça. Há cerca de um mês, oitocentos soldados franceses chegaram ao Quénia. E na segunda-feira, mais de 30 chefes de estado africanos reuniram-se na Universidade de Nairobi para ouvir o que a França pretendia.
O Presidente Emmanuel Macron, ao lado do Presidente queniano William Ruto, anunciou 23 mil milhões de euros em compromissos de investimento. Catorze mil milhões vieram de empresas francesas e nove mil milhões de empresas e investidores africanos, com projetos na transição energética, agricultura e inteligência artificial. Os organizadores afirmam que estes compromissos podem criar 250 mil empregos.
Mas o detalhe mais importante é que este foi o primeiro encontro África-França alguma vez realizado num país anglófono. Durante cinquenta anos, esta reunião alternava entre Paris e capitais francófonas onde a França tinha influência. Escolher Nairobi foi um sinal claro de mudança estratégica.
A França perdeu sua presença no Sahel após golpes militares no Mali, Burkina Faso e Níger. O Quénia, sob Ruto desde 2022, posiciona-se como parceiro ideal, atraindo capital ocidental e do Golfo. O porto de Mombaça é uma porta estratégica para Uganda, Ruanda e outros países.
Os dois presidentes tentaram afastar-se da herança do "Françafrique", a velha rede pós-colonial criticada como neocolonial. Macron descreveu a nova abordagem como uma "parceria entre iguais". A França também devolveu artefatos culturais roubados durante a colonização.
França e Quénia assinaram um acordo de defesa que trouxe oitocentos soldados franceses para solo queniano. No final, restava transformar 23 mil milhões em promessas numa verdadeira parceria.