Acima do Oceano Pacífico, entre o Havai e a Califórnia, o ar está a fazer algo que nunca deveria fazer. Está a reter calor, não por causa do dióxido de carbono ou fuligem de uma fábrica, mas por causa de algo muito mais estranho: pequenos fragmentos de plástico colorido que flutuam invisíveis no céu, absorvendo a luz solar como pequenos painéis solares.
Um estudo publicado em maio de 2026 na revista Nature Climate Change, liderado por investigadores da Universidade Fudan em Xangai, mostrou que o microplástico e nanoplástico no ar têm um efeito de aquecimento mensurável na atmosfera terrestre. Os modelos climáticos atuais ignoram completamente este efeito.
Os números são pequenos mas significativos. A equipa calculou um efeito de aquecimento de aproximadamente 0,039 watts por metro quadrado, equivalente a cerca de 16% do efeito de aquecimento do carbono negro.
Acima do Grande Banco de Lixo do Pacífico Norte, o plástico no ar pode ter um impacto de aquecimento 4,7 vezes superior ao do carbono negro. Os investigadores descobriram que as partículas coloridas, como as tampas de garrafas e embalagens, absorvem a luz solar muito mais intensamente do que as brancas ou transparentes.
Os fragmentos de plástico mais pequenos, invisíveis mesmo ao microscópio, absorvem mais luz solar e permanecem no ar mais tempo. O microplástico foi encontrado no sangue humano, na neve da Antártida e nas montanhas mais altas. Agora parece estar a modificar o equilíbrio energético do planeta.